
Aberto o livro nas páginas 94/95
Na página 95 o Poema:
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Na página 94 (à esquerda) está a interpretação:
MAR PORTUGUÊS
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O poeta dirige-se ao mar, um mar responsável pelo sofrimento das mães, dos filhos, das noivas de todos aqueles que ousaram cruzar as suas águas com o intuito de o dominarem- "Para que fosses nosso, ó mar!"
Terá valido a pena tanto sofrimento? "Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena". É mais uma nova maneira do poeta afirmar a importância da vontade da alma humana, vontade sempre insaciável.
Se, na primeira estrofe, o mar é sinónimo de dor, já na segunda estrofe, o mesmo mar aparece associado à conquista do absoluto. O mar encerra "perigo" e "abismo", mas também espelha o "céu", ou seja, oferece recompensas, ao permitir o acesso a um prémio superior, seja ele a Verdade, a heroicidade, a imortalidade, a glória...
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