O que é a ciência, penso que poderá ser algo como isto: houve neste planeta uma evolução da vida até ao ponto em que se desenvolveram animais que são inteligentes. Não falo apenas de seres humanos, mas de animais que brincam e conseguem aprender alguma coisa com a experiência (como os gatos). Mas a dada altura cada animal teve de aprender com a sua própria experiência. Desenvolveram-se gradualmente até um animal poder aprender mais rapidamente e poder mesmo aprender com a experiência de outro pela observação, ou um poder mostrar ao outro, ou um ver o que o outro tinha feito. Assim, houve a possibilidade de todos aprenderem, mas a transmissão não era eficiente e morriam, e talvez aquele que aprendeu morresse também antes de poder passar aos outros o que aprendera.
A questão é: será possível aprender mais rapidamente (o que alguém aprendeu por acidente) do que a taxa a que o assunto é esquecido, seja por má memória, seja pela morte do aprendiz ou inventor?
E então chegou uma altura em que, para algumas espécies, a taxa a que aumentava a aprendizagem fez com que acontecesse uma coisa completamente nova: as coisas podiam ser aprendidas por um animal e passadas para outro e outro de uma forma suficientemente rápida para não se perderem. E tornou-se possível acumular conhecimento.
Isto foi designado por time-bending (curvatura do tempo). Não sei quem lhe chamou assim em primeiro lugar. Temos aqui algumas amostras desses animais, sentados a tentarem ligar uma experiência à outra, cada um a tentar aprender com o outro.
Este fenómeno de ter uma memória, de ter conhecimento acumulado que passa de uma geração para outra, era novo no mundo. Mas continha uma doença. Era possível transmitir ideias erradas. Era possível passar ideias que não eram lucrativas para a raça. A raça tem ideias, mas estas não são necessariamente benéficas.
Então chegou uma altura em que as ideias, embora se acumulassem lentamente, eram todas acumulações não apenas de coisas práticas e úteis, mas grandes acumulações de todo o tipo de preconceitos e crenças estranhas e anormais.
Descobriu-se então um meio de evitar a doença. Isto é, duvidar de que o que é transmitido do passado seja de facto verdade e tentar perceber, ab initiio, novamente a partir da experiência, qual é a situação, em vez de acreditar na experiência do passado, sob a forma que é transmitida. E é isso é que é a ciência.
Para regressar ao AMOR PELOS LIVROS clique aqui