Não me agrada muito apresentar uma lista de dez coisas simples que as pessoas podem fazer e que contribuirão para salvar o planeta porque, como já expliquei, não existem dez coisas simples que se possam fazer para salvar o planeta. No entanto, não quero com isso dizer que não devemos dar importância ao facto de sermos responsáveis e inteligentes no que respeita às nossas acções a nível individual e doméstico. Efectivamente, há acções que podemos pôr em prática para minorar os impactes ambientais sobre a saúde das nossas famílias e dos trabalhadores. Estas acções podem igualmente contribuir para reduzir um pouco a nossa pegada ecológica. Por isso, sim, devemos empreender estas acções — desde que não permitamos que nos arrastem para um falso sentimento de realização pessoal e que não permitamos que o esforço de manter este escudo verde constante, rígido e rigoroso no nosso estilo de vida nos leve à exaustão. Por outras palavras: desde que a realização destas acções não interfira com a sua participação na arena política mais ampla com vista a alcançar mudanças reais, pode entregar-se a elas de corpo e alma. Embora haja uma infinidade de guias sobre como viver uma vida mais ecológica, este livro não é um deles. Contudo, como muitas das pessoas que assistiram à História das Coisas pediram sugestões específicas, decidi partilhar convosco aquilo que faço. Esta lista não é abrangente nem segue nenhuma ordem específica, mas constitui um bom ponto de partida e inclui sugestões sobre outros recursos.
(…)
PVC, mais conhecido por pernicioso e vil composto
Nos dias que correm, o plástico é universalmente reconhecido como um problema, desde o petróleo necessário para o produzir até aos resíduos praticamente imortais que deixa a flutuar nos nossos oceanos. Mas nem todos os plásticos são iguais; alguns são mais problemáticos que outros. O plástico de PVC (policloreto de vinilo), comummente designado por vinilo, é o plástico mais perigoso em todas as fases da sua vida: desde a produção na fábrica, passando pela utilização nas nossas casas, escolas, hospitais e escritórios, até à eliminação nos nossos aterros ou, pior de tudo, nas nossas incineradoras. E igualmente um plástico barato e versátil, duas razões para continuar a ser usado de forma generalizada, não obstante os seus impactes negativos para a saúde ambiental. O PVC apresenta uma variedade de formas e texturas e aparece em todo o tipo de coisas: sapatos e malas de couro falso, gabardinas e botas impermeáveis, babetes, aventais, toalhas e cortinas de duche, mobiliário de Jardim e mangueiras, recipientes para comida e embrulhos, escorredouros de louça com revestimento de plástico, lambrins, janelas e canos de vinilo. Está presente nos artigos médicos (tubos) e nos artigos de escritório (matérias adesivas). E rodeia os nossos filhos, nos seus brinquedos e roupas. Temos uma vez mais o, cloro tóxico, que aparece em grande parte das nossas Coisas. Durante a produção em vários estágios do PVC, o gás de cloro é usado para produzir dicloreto de etileno (EDC), que é convertido em monómero de cloreto de vinilo (VCM), que, por sua vez, é convertido em PVC. E uma lista tremendamente venenosa de ingredientes. Muitos estudos documentaram taxas elevadas de doenças entre trabalhadores em instalações de produção de cloreto de vinilo, incluindo cancro do fígado, cancro do cérebro, cancro dos pulmões, linfomas, leucemia e cirrose hepática. O processo de produção de PVC liberta igualmente muita poluição tóxica para a atmosfera, incluindo dioxinas. Tal como já referi, as dioxinas são um grupo de químicos nocivos que persistem na atmosfera, percorrem longas distâncias e se depositam na cadeia alimentar, causando cancro e danos nos sistemas imunológico e reprodutivo. Além disso, como na sua forma pura o PVC é, na verdade, um plástico frágil de utilização limitada, é necessário misturar mais químicos, ou aditivos, para o tornar flexível e alargar as suas utilizações. Estes incluem metais pesados neurotóxicos, como o mercúrio e o chumbo, e químicos sintéticos, como os ftalatos, que se sabe causarem distúrbios reprodutivos e são suspeitos de causarem cancro. Uma vez que a maioria destes aditivos não se liga ao PVC a nível molecular, desprendem-se lentamente, um processo chamado de lixiviação ou desgasificação. Umas vezes de forma demorada outras de forma lenta, estes aditivos libertam-se do plástico dos brinquedos para as crianças, das embalagens para a comida e das cortinas de duche para o ar que respiramos.
(…)
Então que fazer com o PVC que tem? Primeiro que nada, não se martirize se estiver á volta de si e da sua família: até na minha casa apesar da minha vigilância, o traiçoeiro PVC se infiltra. Às vezes chega sob a forma de pequenos brinquedos em saquinhos que as minhas filhas trazem para casa de festas de aniversário. Ocasionalmente, arranjo algo, como a extensão que acabei de comprar, que não percebi que era em PVC até abrir a embalagem e o fedor invadir a garagem. Certa vez encomendei uma gabardina para a minha filha; uma vez mais, embora a descrição em linha não dissesse que era PVC, o odor denunciou-o. Que fazer? Em todos estes cases, voltei a meter o produto na embalagem e devolvo-o ao fabricante com uma carta a explicar por que razão o produto é inaceitável, fazendo-lhe o resumo sobre o PVC e exigindo o reembolso. (Há uma minuta no anexo 3 que pode copiar.) Se não conseguir identificar o fabricante o produto infractor vai para uma caixa que tenho na garagem e que quando está cheia, envio para a Vinil Institute (Instituto do Vinil) uma associação de comércio em Washington. (A morada também esta no anexo 3.) Como estes tipos ganham muito dinheiro para defender os produtores de PVC, acho que podem resolver o problema. Também pode convidar os seus vizinhos a enviar o PVC deles junto com o sou e, se conseguir reunir gente suficiente, convide um jornalista da televisão, da rádio ou do jornal local. Quanto mais alertarmos sobre quão inaceitável o PVC é, melhor.
Quanto a evitar compras de PVC futuras, o material não e muito difícil de identificar. As duas pistas mais fáceis são o rótulo e o cheiro. Se virar um recipiente de plástico e encontrar o numero 3 no interior do logótipo da reciclagem (três setas em forma de triângulo), volte a colocá-lo na prateleira.
Se puder, faça uma chamada rápida para o número de apoio (defesa do consumidor/Deco - informação nossa) ao consumidor que está na embalagem ou envie um e-mail ou uma carta quando chegar a casa, informando a empresa de que não comprará as Coisas dela enquanto forem embaladas no plástico mais tóxico do planeta. Algumas embalagens não exibem o número mas dizem «vinilo» ou «PVC» ou podem até ter apenas um pequeno «V». Procure atentamente. Vale a pena perder um minuto para garantir que não traz PVC para casa.
A outra maneira de identificar o PVC – geralmente a quilómetros de distância – é o cheiro. Sabe, aquele cheiro de uma cortina de duche nova, de um carro novo ou de um calçado Target? É do PVC. Ou mais precisamente é de alguns dos aditivos químicos que estão a libertar gás.
Para voltar ao AMOR PELOS LIVROS clique aqui