George Sand é a primeira a confessar o seu amor com a famosa mensagem «On vous adore.» Diz a Marie d'Agoult que idolatra Chopin e que o convide a vir com ela a sua casa. Marie responde que George Sand não deve contar com Chopin, que este é um homem indeciso, só fiel à sua tosse!
George Sand não desiste e vai empreender a conquista de Chopin. Este, a princípio, resiste. A mulher mais famosa da Europa insiste. Chopin pensa e... claudica. Dois monstros sagrados vão unir os seus destinos. «Sois adorado...»
O amor recíproco de Chopin e de George Sand em breve não é segredo para ninguém. Os meios da aristocracia criticavam a ligação devido às convicções sociais e políticas da romancista. Chopin e Aurore não dão ouvidos às más-línguas. Estavam demasiado ocupados um com o outro para se importarem com o que os outros diziam.
Maiorca
A partida dos dois para Maiorca dá azo a mais comentários. George Sand deixa Paris com Maurice e Solange, em meados de Maio de 1838. Chopin segue-os dias mais tarde. Perante tão longa viagem, Chopin pede 1000 francos emprestados ao conde Léo e 500 francos à Casa Pleyel como adiantamento dos seus honorários pelos Prelúdios, que ele promete terminar e enviar de Maiorca. Outro tanto negoceia com um agiota. Chopin e Sand encontram-se em Perpignan, depois seguem para Barcelona, onde assistem a récitas de ópera. A 9 de Novembro, a bordo do El Mallorquin, Chopin, George Sand e os seus dois filhos chegam a Maiorca. Alguns dias mais tarde, Chopin escreve ao editor Julien Fontana: «Estou em Palma, entre palmeiras, cedros, cactos, laranjeiras, limoeiros, romãzeiras... etc. Tudo o que o Jardim das Plantas possui. O céu é turquesa, o mar azul, as montanhas verde-esmeralda, o ar paradisíaco... Lembra África... uma vida admirável.»
E, numa carta a Camille Pleyel: «Sonho música mas não a faço, porque aqui não há pianos. O meu piano ainda não chegou.»
O bom tempo, porém, não dura. Começa a época das chuvas. O clima húmido de Maiorca prejudica a saúde de Chopin. Adoece. É visto por três médicos. A 28 de Dezembro escreve a Fontana: «Palma, ou antes, Valdemosa, a alguns quilómetros de Palma. Entre os rochedos e o mar, um imenso mosteiro onde tu poderias ver-me numa cela com uma porta...»
George e Chopin haviam-se mudado para o Mosteiro da Cartuxa, em Valdemosa. Pensavam que ali teriam recolhimento. Os criados recusam-se servir um casal de união ilegítima. As sombras movem-se como fantasmas pelas paredes do mosteiro. A atmosfera é lúgubre. Mas George Sand cuida carinhosamente de Frederic. As melhoras permitem a Chopin recomeçar o trabalho. Termina os Prelúdios, a Balada em Fá Maior, a Mazurka Opus 41 N° 2, «Palma», as Polonaises em Lá Maior e em Dó Maior, do Opus 40 e o Scherzo em Dó Sustenido Maior Opus 39.
No final de Fevereiro de 1839, Chopin quer deixar Maiorca. A viagem que seria de lua-de-mel não resiste aos ventos ululantes de Inverno e revela-se tempestuosa e infernal. Um pouco como a relação entre os amantes. E regressam. Chopin sente enorme fadiga na viagem até Palma. Os amantes viajam para Marselha a bordo do navio francês Le Phénicien e, de novo, a França.
Em Junho partem para Nohan, residência de campo de George Sand.
(…)
A atmosfera de Nohan é benéfica para a saúde e para o bem-estar do compositor. É lá que Chopin vai compor na derradeira fase da sua criação. Nohan é a sua casa, ele um membro da família. Abrem-se as portas da propriedade às grandes sumidades literárias e artístícas: Delacroix, Balzac, Lambert, Laura Czonovska. Delacroix. Grande amigo de Chopin, faz-lhe o retrato. Como que em resposta, somos lembrados das texturas a óleo de Delacroix na Fantasia em Fá Menor, de 1841. A mais monolítica obra que Chopin compôs, inspirado na canção patriótica La Lituannienne, composta por Kurpinski durante a sublevação de Varsóvia.
(Ed.Caminho)
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