Garrett interrogava-se sobre como explicar algo que ele tinha dificuldade em compreender. Após um longo momento em que aproveitou para se concentrar, disse baixinho:
— Creio que é porque queria que a Theresa soubesse quem eu sou na realidade. Porque se me conhecer de verdade e ainda quiser estar comigo...
Theresa nada disse, mas sabia exactamente o que ele estava a tentar dizer. Garrett desviou o olhar.
— Desculpe. Não era minha intenção fazê-la sentir-se embaraçada.
— Não me fez sentir embaraçada — começou ela a dizer. - Ainda bem que o disse...
Theresa fez uma pausa. Depois de um momento começaram a caminhar de novo lentamente.
— Mas não sente o mesmo que eu sinto.
Ela olhou para ele. — Garrett... eu... — A sua voz sumiu-se.
— Não, não precisa de dizer nada...
Theresa não o deixou acabar. — Preciso sim. O Garrett quer uma resposta, e eu quero dar-lha. — Fez uma pausa, pensando na melhor maneira de o dizer. Depois, respirando fundo: — Após eu e o DavÍd nos separarmos, passei por um período horrível. E quando pensei que o estava a ultrapassar, comecei a sair com outros homens. Mas os homens que conheci... não sei, parecia simplesmente que o mundo tinha mudado durante o tempo em que estive casada. Todos eles queriam qualquer coisa, mas nenhum deles queria dar. Suponho que me cansei dos homens em geral.
— Não sei o que dizer...
— Garrett, não lhe estou a contar isto porque penso que seja igual a esses homens. Penso que é muito diferente deles. E isso assusta-me um pouco. Porque se lhe disser o quanto gosto de si … de certa maneira, estou sujeita a ser magoada de novo.
— Eu nunca a magoaria — disse gentilmente.
Ela parou e fê-lo olhá-la de frente. Depois falou tranquilamente.
— Eu sei que acredita nisso. Garrett. Mas tem andado a lutar com os seus próprios demónios durante os últimos três anos. Não está pronto para seguir em frente e, se não estiver, então vou ser eu quem se vai magoar.
As palavras atingiram-no com força, e ele levou algum tempo para responder. Garrett obrigou-a a olhá-lo nos olhos.
- Theresa... desde que nos conhecemos... não sei...
Parou percebendo que não era capaz de pôr em palavras aquilo que sentia.
Em vez disso, levantou a mão e tocou o rosto dela com o dedo, acariciando-a tão levemente como se fosse uma pena a tocar na pele dela. No momento em que ele a tocou, ela fechou os olhos e apesar das suas dúvidas deixou que a sensação de formigueiro viajasse através do seu corpo, aquecendo-lhe o pescoço e os seios.
A partir daquele momento ela sentiu que tudo começava a desmoronar-se ficando subitamente com a certeza de que devia estar ali. O jantar que tinham partilhado, o passeio pela praia, a maneira como ele a olhava — não conseguia imaginar nada de melhor do que aquilo que estava a acontecer naquele preciso momento.
As ondas vinham rebentar na praia, molhando-lhe os pés. A brisa quente de Verão soprava por entre os seus cabelos, aumentando a sensação do toque dele. O luar emprestava um brilho etéreo à água, enquanto as nuvens projectavam sombras ao longo da praia, tornando a paisagem quase irreal.
Eles cederam então a tudo o que estivera a acumular-se desde momento em que se conheceram. Ela afundou-se nele, sentindo o calor do seu corpo, e ele soltou-lhe a mão. Então, envolvendo-a lentamente nos seus braços, puxou-a para si e beijou-a suavemente nos lábios. Depois de se afastar ligeiramente para a olhar, beijou-a de novo suavemente. Ela devolveu-lhe o beijo, sentindo a sua mão percorrer-lhe as costas e parar no cabelo, onde ele enterrou os dedos.
Permaneceram abraçados, beijando-se ao luar durante muito tempo, nenhum deles preocupado em saber se alguém os poderia ver. Tinham ambos esperado demasiado tempo por aquele momento e, quando finalmente se afastaram, ficaram a olhar um para o outro. Depois, pegando de novo na mão dele, Theresa conduziu-o lentamente de volta para a casa.
(Editorial Presença)
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